Articulação entre empresários de TIC reflete a sustentabilidade do segmento, no Paraná

A sexta edição do Encontro de Líderes de Arranjos Produtivos Locais (APLs) de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) do Paraná, que aconteceu nesta sexta-feira, dia 5, em Foz do Iguaçu, reuniu representantes dos seis arranjos produtivos do Estado. Foram cerca de 30 líderes focados em contribuir para o desenvolvimento do setor no Paraná.

Conforme dados levantados pelo Sebrae/PR, em 2008, o Paraná é uma das referências no setor de TIC, pela organização empresarial e pelo volume de negócios, que geram um faturamento anual superior a R$ 285 milhões e cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos. O evento é uma parceria entre os APLs de TIC do Estado, Sebrae/PR, Centro Internacional de Tecnologia de Software (CITS)  e conta com apoio da Assespro/PR e da Rede APL do Paraná, Parque Tecnológico Itaipu (PTI) e Instituto de Tecnologia em Automação e Informática (ITAI).

Segundo o coordenador estadual do Programa de Desenvolvimento de TI do Sebrae/PR, Ricardo de Almeida Pereira, o objetivo do encontro foi alinhar estratégias regionais em soluções coletivas para o Estado. “Além da sinergia, da troca de informações entre os líderes dos APLs e definição de novas ações, o encontro também tem como foco fortalecer a confiança entre os envolvidos. Junto com o Sebrae/PR e demais entidades apoiadoras dos APLs de TIC, a ideia é alavancar a competitividade e a imagem do setor de TI do  Estado, em âmbito nacional”, destaca o coordenador.

Na pauta do encontro, o acompanhamento das ações específicas de cada arranjo produtivo local, planejadas no evento anterior, em novembro do ano passado. “Uma das propostas dos encontros de lideres é discutir iniciativas de âmbito estadual e apresentar a evolução de cada APL. No final de 2009, cada uma ficou responsável por desenvolver uma ação para que hoje (sexta-feira), fossem apresentadas propostas para aplicar a mesma ação em todo o Estado”, esclarece Pereira.

Na avaliação do gerente da Unidade de Programas Estaduais (UPE) do Sebrae/PR, José Gava Neto, encontros como esse, em âmbito estadual, permitem o encaminhamento de ações estruturantes para o Estado. “O grande problema das micro e pequenas empresas não é serem pequenas e sim estarem sozinhas. É devido a isso que o Sebrae agrega empresas em torno de um projeto com objetivos compartilhados. Se as empresas têm a oportunidade de promoverem a troca de informações em âmbito local, isso proporciona a criação de atalhos para a resolução de problemas de cada uma das empresas, pois as soluções adotadas também podem servir para outras.”

Cooperação

Os Arranjos Produtivos Locais do Setor de TIC no Paraná estão localizados nas regiões de Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Sudoeste e Oeste do Estado. “O Sebrae/PR atua em todos esses APLs , procurando fortalecer o setor através do desenvolvimento das micro e pequenas empresas e da integração entre as governanças destes arranjos produtivos”, afirma Ricardo Pereira.

A coordenadora dos APLs do setor de TI do Sebrae Nacional, Rosana Cristóvão de Melo, diz que o Paraná é exemplo de organização e governança. “No Brasil são cerca de 25 APLs apoiados pelo Sebrae. E o Paraná se destaca pela boa atuação em grupo. A grande importância da cooperação desse segmento, tanto dentro de uma região quanto dentro do Estado, é fazer com que o País crie uma identidade de TI. O Sebrae procura auxiliar no processo de mudança na cultura dessas micro e pequenas empresas, para que elas possam se unir e enxergar novas demandas de mercado, não atendidas pelas grandes empresas”, esclarece.

APLs de TIC no Paraná

Curitiba - O APL TIC de Curitiba foi instituído no ano de 2007. Hoje, é coordenado pelo empresário Hamilton Barreto e conta com cerca de 100 empresas integradas. Recentemente, trabalhou no projeto Curitiba Offshore, uma ação dentro do arranjo produtivo local para destacar a região como pólo Mundial de TI. “Muitas das nossas empresas tinham como meta a exportação, mas não conheciam os meios de chegar ao mercado externo e uma das ações o Offshore foi levar esses empresários a feiras e eventos na França, Estados Unidos e Índia para dar início a negociações internacionais”.

Londrina - fundado em novembro de 2006, o APL TIC de Londrina reúne atualmente 60 empresas do segmento de Tecnologia da Informação. Um dos principais projetos realizados pelo arranjo, segundo o presidente da entidade, João Carlos Monteiro, é a Central de Negócios. “Percebemos que as empresas têm problemas muito comuns e que, com negociações em conjunto, é possível economizar tempo e recursos. E essa é a proposta da Central de Negócios, negociamos compras e vendas para um grupo de empresas da região”, afirma.

Maringá – 46 empresas fazem parte do APL TIC de Maringá, criado em março de 2007, que tem como maior objetivo o fortalecimento tanto do setor de TI da cidade de Maringá quanto de cidades vizinhas como Campo Mourão. Para o coordenador, Sérgio Yamada, de nada adianta uma cidade fortalecida, se a região não acompanhar esse processo. “Temos como princípio a gestão participativa e coletiva. Um dos nossos focos de trabalho está na capacitação da mão de obra no setor. Atualmente trabalhamos no projeto de um portal que centraliza as informações de TI e esta ferramenta vai auxiliar um grande número de empresas do segmento”, avalia.

Ponta Grossa – o APL TIC de Ponta Grossa existe desde 2008 e foi instituído a partir de um grupo participante do núcleo setorial da associação comercial do município. Hoje, são 18 empresas participantes que contam com o apoio de várias instituições. “A transformação de núcleo setorial em APL contribuiu muito para essas empresas do segmento de TI de Ponta Grossa. Como arranjo produtivo, contamos com o apoio de entidades como o Sebrae/PR, universidades e institutos de pesquisa, que facilitam o desenvolvimento de projetos como o Parque Ecotecnológico de Ponta Grossa, que deve ser concretizado em 2012”, declara o coordenador do arranjo produtivo,  Adriano Augusto Krzyuy.

Região Oeste – O empresário Siro Canabarro é o coordenador do APL Iguassu-IT, fundado em junho de 2008. Atualmente este arranjo produtivo trabalha em prol da qualificação profissional e formação de mão de obra para as 60 empresas integrantes do APL no oeste paranaense. Segundo Canabarro, somente em 2009, cerca de 500 profissionais foram capacitados. “Entendemos que um dos problemas dos empresários era conseguir mão de obra qualificada para atender em tecnologia da informação. Assim, este último ano foi focado na qualificação. Com isso, as empresas melhoraram seus resultados e cinco delas conseguiram, até, a Certificação Melhoria de Processos do Software Brasileiro (MPS.BR), que os qualifica e reconhece nacionalmente”, argumenta.

Região Sudoeste – O APL de TI da Região Sudoeste teve início em 2007. Hoje, conta com a adesão de 38 empresas e, entre os parceiros, oito universidades. Para o coordenador deste arranjo produtivo local, Roberto Elias da Silva, a criação de parcerias com estas instituições de ensino é fundamental para o desenvolvimento do grupo, que também tinha dificuldade em conseguir mão de obra para os serviços em TI. “Além do TecSul, evento que promovemos em parceria com as universidades para oferecer imersão de jovens e empresários em uma semana de cursos e palestras sobre tecnologia, realizamos recentemente o ‘Aprender e Crescer’. Este projeto, já em parceria com a prefeitura municipal, vem capacitando desde 2008 jovens que pretendem trabalhar no setor de TI”.